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África do Sul aprova compra de varejista local pelo Wal-Mart

Autoridades de concorrência sul-africanas aprovaram nesta terça-feira a oferta de US$ 2,4 bilhões do Wal-Mart pela varejista Massmart, ressaltando que o grupo americano não poderá demitir funcionários por dois anos. As condições impostas incluem ainda um programa para desenvolver fornecedores locais.

A decisão deve ser vista como um grande avanço para a maior varejista do mundo, que havia afirmado que poderia desistir do negócio caso fossem estipuladas metas para fornecedores locais. O negócio vem sendo apontado como um teste para maiores investimentos estrangeiros na África do Sul. Os sindicatos possuem forte influência política naquele país.

O Massmart deve “dar preferência” à recolocação de 500 funcionários demitidos em 2010, afirmou o tribunal. Três departamentos do governo e sindicatos da África do Sul se mostraram contra o negócio, solicitando que reguladores impusessem metas para contratos locais e congelassem cortes de empregos.

Governo e sindicatos temem que a cadeia de fornecimento global do Wal-Mart possa levar a uma enxurrada de importações, resultando em corte de empregos e pressão aos fornecedores locais.

Brasil e Argentina negam ‘guerra comercial’ e querem agilizar licenças

Mesmo assim, licenças não-automáticas dos dois países permanecem.
Nota conjunta cita disposição de ‘facilitar trâmites’ de comércio bilateral.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro, Fernando Pimentel, e a ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, negaram que os países estejam em “guerra comercial” e se dispuseram, nesta quinta-feira (2), após reunião em Brasília, a tentar agilizar a liberação das suas importações.

As tensões comerciais entre as duas nações voltaram com mais intensidade nas últimas semanas, após o Brasil ter estabelecido licenças não-automáticas para a importação de automóveis de todos os países, medida que prejudicou principalmente a Argentina. O mesmo procedimento já é adotado pelo país vizinho há mais de um ano para quase 600 produtos. Em alguns casos, como para os têxteis, a liberação das vendas do Brasil chega a 600 dias.

“Nunca houve uma crise, uma ruptura, uma descontinuidade na relação comercial e diplomática entre Brasil e Argentina. O Brasil e a Argentina têm uma corrente de comércio muito volumosa. Já chegou aos US$ 15 bilhões nos primeiros cinco meses. São países que têm fronteira seca e uma integração produtiva em andamento. Isso gera ruídos. Aqui e ali têm problemas nas aduanas”, declarou Pimentel.

Para a ministra argentina, Débora Giorgi, nunca houve “guerra comercial” entre os dois países. “Guerra comercial de nenhuma maneira. A integração é um caminho para melhorar (…) Os avanços são muitos. A Argentina é o primeiro destino de manufaturas do Brasil nesse momento”, declarou Giorgi a jornalistas.

Licenças não-automáticas seguem de pé
Apesar das declarações dos representantes dos dois países, as licenças não-automáticas de importação, que existem de ambos os lados, ainda continuam de pé. Porém, tanto a ministra Débora Giorgi, quanto Fernando Pimentel, se comprometeram a tentar agilizar a liberação das importações dos dois países.

O comunicado conjunto cita que foi “manifestada a posição de facilitar trâmites para a obtenção e aprovação de licenças de importação, bem como a liberação de produtos que se encontram atualmente na fronteira com os dois países”. Também foi definido que representantes das duas nações se reunirão a cada 30 dias para evitar o “acúmulo de pedidos”.

De acordo com Fernando Pimentel, o governo brasileiro decidiu estabelecer as licenças não-automáticas para automóveis, no mês passado, como uma “medida cautelar”. “A balança do setor automotivo está muito desequilibrada. Podemos estudar licenças não-automáticas se estiver havendo um grande prejuízo para a balança, como é o caso dos automóveis zero quilômetro, que estão entrando em quantidades nunca antes vistas. Não é retaliação a nenhum país, especialmente à Argentina”, disse ele.

Já a ministra argentina, Débora Giorgi, lembrou que, embora o país exporte muitos automóveis para o Brasil, há uma grande importação de autopeças brasileiras para sua fabricação. Segundo ela, foi registrado, em 2010, um déficit comercial da Argentina com o Brasil de US$ 2 bilhões nos segmentos de automóveis, maquinário agrícola e caminhões.

Sobre a liberação dos produtos na fronteira entre os dois países, a ministra disse que será respeitado o prazo da Organização Mundial de Comércio (OMC), de 60 dias. Segundo ela, as licenças não-automáticas não chegaram a 20% das exportações brasileira nesses primeiros cinco meses deste ano. “É um pequeno universo. Os outros 80% dos exportadores brasileiros podem, e estamos contentes, aportar [os produtos]. Temos história”, concluiu Giorgi.

A influência do Brasil na economia argentina

Do La Nación e do Blog do Sandro Araújo

O Brasil na vida cotidiana argentina

É o principal destino das exportações e a primeira origem das importações; 82% dos automóveis argentinos vai para lá; a chegada de turistas brasileiros duplicou em 2010; ocupa o quarto lugar como investidor externo e suas empresas dominam em carne, cimento e sapatos.

Por Emilia Subiza – La Nacion – Tradução por Sandro Araújo

Denomina-se “engrenagem” o mecanismo utilizado para transmitir potência de um componente a outro dentro de uma máquina. Praticamente assim funciona dentro do contexto econômico do Mercosul a relação bilateral do Brasil com a Argentina.

Desde as variáveis macroeconômicas e também desde o consumo, o Brasil se faz cada vez mais relevante para a Argentina. Para lá se destinam 21% de todas as exportações, sendo 42% das industriais e se concentra 31% de nossas compras no exterior. O aumento de seu capital ganha cada vez mais relevância; já ocupa o quarto lugar em importância em todos os investidores externos que chegam ao país. O aumento de seus turistas, que duplicou no ano passado, representa um boom em hotéis, restaurantes, comércio e transporte.

“O Brasil é a oitava economia do mundo, está no caminho para ser a sétima e superar a Itália em breve. Não há parte significativa na indústria e serviços da Argentina em que não tenha participação. A relação bilateral se fez muito mais estreita que na década anterior”, diz o economista da Fundación Standard Bank, Raúl Ochoa.

A intensidade da relação não é a mesma em ambos os sentidos. Ochoa adverte que o Brasil está muito mais presente na Argentina, mas não ocorre o mesmo com a presença argentina no Brasil, sem contar a diferença de tamanho. Para eles, nosso país é o terceiro destino em importância tanto de suas exportações como de suas importações, com uma participação muito menor: 9,2% e 8%, respectivamente.

A decisão brasileira de aplicar licenças não-automáticas (LNA) para a importação de certos produtos anunciada há dez dias e que afeta particularmente a indústria automotiva argentina, que destina para lá mais de 80% de suas exportações, somou um novo capítulo de tensão à relação bilateral. Nas semanas anteriores, o governo de Dilma Rousseff havia se queixado ante as autoridades argentinas pela demora de mais de 60 dias – prazo estabelecido pela Organização Mundial de Comércio – para autorizar o ingresso de produtos brasileiros que desde fevereiro entraram no sistema de LNA.

A onipresença do Brasil também se sente nas gôndolas alvicelestes, seja por importação de produtos ou pela fabricação local graças ao seu investimento estrangeiro.

Cerca de 70% dos hambúrgueres que se comem na Argentina têm sua origem em capitais brasileiros, de acordo com a consultora de mercado CCR. Fabián Uranga, analista, conta que a Quickfood, que processa as tradicionais Paty (propriedade da brasileira Marfrig), é lider de mercado com 60% de participação, ao que se soma a porção de Swift (adquirida pela JBS-Friboi).

Marcas de calçados como Topper, Alpargatas e Flecha também respondem ao investimento de nossos vizinhos. A holding Camargo Correa controla hoje a Alpargatas, que produz estas três marcas.

“Os brasileiros fizeram grandes investimentos no mercado calçadista nos últimos quatro anos. Cerca de 35% do calçado desportivo que se consome é feito no país, e 30% com capitais brasileiros”, conta o presidente da Cámara Industrial del Calzado (CIC), Alberto Sellaro.

Entre as operações, menciona que a firma Vulcabrás adquiriu em 2007 uma planta na localidade bonaerense de Coronel Suáres, onde atualmente trabalham 4.300 empregados e produzem diariamente 10.000 pares de sapatos com as marcas Reebok e Olimpikus. Enquanto isto, a Paquetá radicou-se em Chivilcoy e é o principal fabricante de Adidas. Trabalham 12.000 empregados e fazem 8.000 pares de calçados por dia.

Além de calçados esportivos, sandálias são outro dos fortes do Brasil. Mal se concretizou o anúncio de produção local das mundialmente conhecidas Havaianas, o presidente da CIC calcula que no ano passado foram importados 1,3 milhões de pares. A marca que já começou a produzir em Coronel Suáres é Grendha.

Quase metade do cimento que se consome na Argentina também tem raízes brasileiras. É o principal negócio de Camargo Correa, que aqui controla a Loma Negra. A aquisição da empresa argentina foi o primeiro passo na internacionalização do grupo. Juan Roza, gerente de Assuntos Corporativos, conta que a empresa tem nove plantas e emprega quase 2.000 pessoas.

Em eletrodomésticos, a presença do Brasil está em retrocesso graças à política de licenças de importação aplicada pelo governo argentino. No revendedor Frávega contaram que a quantidade de produtos brasileiros nos segmentos de lavadouras de roupas, cozinha e geladeiras caiu de 40% para 20% nos últimos anos.

“Este ano não entrou nada brasileiro porque não se autorizaram as importações. O que resta é o estoque, que está acabando. Não faltam produtos mas sim variedade e alta qualidade, como as geladeiras de duas portas”, comenta uma fonte da empresa. A famosa batedora Minipimer, muito utilizada pelas mães argentinas com filhos pequenos, está desaparecida das gôndolas. É fabricada no Brasil pela Braun e apesar de uma empresa argentina ter começado a desenvolver uma versão local, ainda não está disponível.

Maurício Claverí, analista da consultoria Abeceb.com, destaca que os investimentos do Brasil na Argentina cresceram fortemente, sobretudo na área industrial. “A Argentina é um mercado muito relevante para o Brasil pois é o primeiro passo para a internacionalização de suas empresas e para ganhar competitividade. A Argentina é o maior mercado dentro de sua área de influência”, explica.

Na siderurgia, a Sipar Gerdau, cuja planta está em Pérez, próxima de Rosário, produz anualmente 260.000 toneladas de laminados entre barras, bobinas, rolos, fios e pregos, entre outros. O Grupo Gerdau é o 14º maior produtor de aço do mundo e seu presidente, Jorge Gerdau, ocupa agora um cargo no gabinete de Dilma Rousseff.

Cerca de 755 caixas automáticos na Argentina pertencem a bancos de capitais brasileiros, enquanto o maior banco da Argentina, o Banco Nación, tem 944. Em 2010 o Banco do Brasil selou um acordo para compra de 51% das ações do Banco Patagonia, em uma operação de 479 milhões de dólares que foi concretizada dias atrás. O Banco Itaú, seu competidor, chegou já faz mais de uma década.

Em energia também há presença do Brasil, ainda que tenha reduzido depois que Petrobrás cedeu 346 postos e uma refinaria à Oil, do empresário Cristóbal López. Segundo dados do mercado, na Argentina existem 4.400 postos de combustível e o domínio da Petrobrás agora é de pouco mais de 5 porcento.

boom turístico

A invasão de turistas é um fenômeno facilmente observável na rua Florida, nos shoppings e nas caras churrascarias de Puerto Madero, onde vão desfrutar da tradicional picanha. A partir do próximo mês também nos centros de neve, especialmente Bariloche, que já foi batizado “Brasiloche”.

Em 2010 chegaram à Argentina 2,6 milhões de turistas. Destes, 863.492 foram brasileiros, mais que o dobro de 2009, de acordo com dados da Indec.

“Explodiu a demanda de turistas. Cerca de 70% da ocupação dos vôos da TAM são brasileiros que vêm à Argentina e os demais 30% são argentinos que vão ao Brasil”, disse Francisco Chiari, gerente geral da TAM Linhas Aéreas na Argentina. A empresa tem 18 vôos diários ao Brasil.

Chiari conta que há dois anos foi alcançado o limite de frequências autorizadas entre ambos países, segundo um acordo bilateral de seus governos. Como o pedido de elevar a quantidade de vôos ainda não prosperou, a TAM mudou seus aviões para estas rotas de A320 para A330, aumentando assim sua capacidade de transporte de 150 para 224 passageiros por viagem.

O economista da Fundación Standard Bank opina: “Há um fenômeno relativamente novo, que é a enorme quantidade de turistas brasileiros que vêm e que têm um impacto muito forte na economia”. E cita como evidência cifras da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo os quais o Brasil mantém um déficit em sua balança de serviços de 30 bilhões de dólares, apesar de que para a Argentina seja de apenas 100 milhões. “É pelo importante aporte dos turistas do Brasil, que representa praticamente a metade do gasto turístico na Argentina”, complementa.

Vitória folgada de governista surpreende analistas na Colômbia

30/05/2010 21h36 – Atualizado em 30/05/2010 21h50

Juan Manuel Santos vai enfrentar 2º turno, mas teve margem de quase 4 milhões de votos.

Mesmo com a perspectiva de um segundo turno, a liderança folgada do candidato governista, Juan Manuel Santos, levantou suspeitas, surpreendeu analistas e contrariou pesquisas que apontavam um empate técnico entre os dois candidatos.

“Indiscutivelmente é uma surpresa”, afirmou à BBC Brasil Alejandra Barrios, diretora do Movimento de Observação Eleitora (MOE).

“Vemos que os votos de Facebook e Twiiter não se transformaram em votos reais, afirmou Barrios em alusão à campanha do partido Verde, impulsada por meio dessas redes sociais. ”

Para ela, Santos “possivelmente será o próximo presidente”, como planejou Uribe.

O analista político e historiador Medófilo Medina vai mais longe e questiona a ampla diferença entre Santos e Mockus, de mais de 3,7 milhões de votos favoráveis ao candidato governista.

‘Fantasma de irregularidades’
“Nenhum prognóstico apontava uma diferença tão ampla entre os dois candidatos. Isso surpreende e tendo em conta os delitos eleitorais do processo legislativo de março, esse fantasma de irregularidades volta a aparecer no horizonte”, afirmou à BBC Brasil.

O MOE afirma não ter provas de irregularidades na contagem dos votos.

“Não temos dúvida de que a contagem reflete a vontade do eleitor, diferentemente do que ocorreu nas eleições legislativas, onde claramente houve fraude em alguns departamentos (estados)”.

Segundo o MOE, a abstenção foi de 56%, uma das mais altas dos últimos quatro processos eleitorais.

No jogo de alianças que passará a ser negociado a partir de agora, de acordo com Medina, Santos tende à capitalizar a maioria dos votos dos partidos conservadores. O esquerdista Polo Democrático tenderá a negociar com o partido Verde uma possível coalizão para o segundo turno.

A posição do partido Cambio Radical de German Vargas Llera, que obteve mais de 1,4 milhões de votos pode ser decisiva, em especial para Mockus, que na opinião de analistas, necessitará contar com o maior número de alianças e de conquistar novos eleitores que não votaram, para poder vencer o candidato governista.

Lleras disse que “ainda não pode decidir em nome dos colombianos que o apoiaram” que candidato seu partido apoiará.

Colômbia terá segundo turno entre Juan Santos e Antanas Mockus

30/05/2010 19h53 – Atualizado em 30/05/2010 22h24

O candidato governista Juan Manuel Santos, o mais votado nas eleições colombianas, com 46,56% dos votos, disputará a presidência em segundo turno em 20 de junho com o candidato Antanas Mockus, do Partido Verde, que obteve 21,49% da preferência dos eleitores.

O resultado foi confirmado matematicamente com 99,71% das urnas apuradas.  Um candidato deve obter a metade mais um dos votos para chegar à Presidência. Caso contrário, será disputado um segundo turno entre os dois mais votados.Candidatos votam neste domingo na Colômbia.

Os centros eleitorais colombianos fecharam neste domingo às 16h locais (18h de Brasília), encerrando o primeiro turno da eleição presidencial do país, em um processo eleitoral marcado pelo grande comparecimento às urnas. Para esta eleição foram convocados cerca de 29,9 milhões de colombianos, e mais de 14,5 milhões votaram.

Hugo Chávez suspende programa nuclear venezuelano

16/03/2011 – 01:30

País havia firmado acordo com a Rússia em 2010 para construção de usina

O presidente Hugo Chávez anunciou no dia 15/3/2011 a suspensão do projeto para a construção de uma usina nuclear na Venezuela, após o grave acidente ocorrido na central japonesa de Fukushima.

“Determinei ao ministro (da Energia, Rafael) Ramírez o congelamento dos planos que promovíamos e os estudos preliminares sobre o programa nuclear pacífico venezuelano”, anunciou o presidente em ato público divulgado pela TV estatal.

A Venezuela firmou em 2010 um acordo com a Rússia para construir sua primeira central nuclear, um decisão que irritou os Estados Unidos.

“O que ocorreu nas últimas horas é extremamente perigoso, para todo o mundo, porque apesar da grande tecnologia que tem o Japão, olhem o que está acontecendo com alguns reatores nucleares”, disse Chávez.

“Isto vai alterar de maneira muito forte os planos de desenvolvimento da energia nuclear no planeta.”

(com Agência France-Presse)

Cuba substitui ministro da Economia e Planejamento

O governo cubano anunciou no sábado 26/03 a saída do ministro de Economia e Planejamento, Marino Murillo Jorge, que estava no cargo desde 2009. Em seu lugar assumirá o engenheiro Adel Yzquierdo Rodriguez. Murillo passará a ser o responsável pela coordenação da execução de medidas econômicas que estimulam a iniciativa autônoma dos profissionais. As informações são do jornal oficial cubano, Granma.

Rodriguez ocupou cargos de chefia em várias estatais e também no Departamento de Planejamento e Economia. Em comunicado, o governo informou que Murillo, mesmo fora do ministério, será responsável pelas agências da área de Economia e Planejamento.

Cuba: entre socialismo e mercado

O processo de mudança em Cuba deu vida a análises muito radicais, onde uma parte da esquerda denuncia a traição ao socialismo, e certa parcela direita comemora o fracasso do regime. Vistas daqui, as coisas não são tão simples assim, pelo contrário.

Desde que Raúl Castro assumiu o comando, em julho de 2006, sua principal preocupação tem sido obter números confiáveis sobre a economia. Em uma reunião do comitê central, chegou ao ponto de dizer “não sou tão bom quanto meu irmão” e, desde então, admitiu que teria de levar em conta essa realidade.

De fato, os dados que Fidel manejava eram os que seus assessores lhe fabricavam, destinados a um mundo ideal no qual ele acreditava firmemente.

O resultado: não há mais recursos para seguir dando gratuitamente a 12 milhões de pessoas educação, saúde, habitação, eletricidade, água, almoço no trabalho e uma carteira para alguns alimentos. Cuba não tem indústrias significativas; 50% das terras férteis estão ociosas e o único mineral, o níquel, já foi vendido ao Canadá, graças a um péssimo acordo feito há muito tempo. Descobriu-se petróleo, mas não há recursos para explorá-lo imediatamente. O embargo norte-americano, embora se exagere absurdamente sobre seus efeitos, tem impacto real sobre o turismo. Cuba exporta serviços, sobretudo médicos, em troca de petróleo venezuelano.

Como consequência, se debate por todo o país alguns “alinhamentos para o plano qüinquenal”, que serão adotados no Congresso do Partido Comunista (PPC) em abril. O debate criou um clima de franqueza, críticas e propostas, o que por si só é uma novidade absoluta. Resta saber quantas modificações serão introduzidas no texto original que circula.

Os alinhamentos implicam em um valente esforço para manter um cenário socialista, aceitando a nova realidade. Cuba segue sendo socialista, mas se reconhece a necessidade de maior produtividade, ajustes e utilização da colaboração individual dos cidadãos.

Entre as várias ideias, creio que são três as mais importantes. Primeira: o PPC deixará a direção e produção econômicas, que serão responsabilidade do Estado. Segunda: o Estado descentralizará todos os níveis possíveis, buscando, no processo, cortar custos e eliminar desperdícios. Terceiro: o cidadão se transformará em um motor do crescimento, tomando iniciativas “por conta própria”.

O trabalhador autônomo é a grande novidade. Não é uma abertura para a criação do setor privado, mas sim a possibilidade que os indivíduos possam exercer atividades econômicas (não empresas), e organizem cooperativas de primeiro e até segundo nível (para compra e venda de serviços comuns).

Isto se acompanha com a redução do setor estatal, que até agora era o único empregador. Serão demitidas, acredita-se, até 1.300.000 pessoas, que provavelmente se tornarão autônomas.

Desse total, 500 mil já estão sendo despedidas. Em minhas viagens pelo país, estimei que os cortes de pessoal de hotéis, jardins botânicos, entre outros, se situavam em 20%. O Estado está outorgando licenças comerciais a todos que lhe pedem. Quantos desses demitidos se transformarão em empresários individuais, sem possuírem um plano de microcréditos (já não há recursos) e sem terem acesso a matérias-primas (escassas e de difícil importação)? Estamos ainda para ver.

Em meus encontros com teóricos do PPC, se enfatizou que Cuba deixava o centralismo democrático, herança soviética, para construir um caminho socialista próprio, a descentralização democrática e socialista. As decisões se tomarão na base, e as pessoas terão maior responsabilidade no percurso do caminho socialista. Mas no novo Plano Quinquenal, os recortes a nível local serão parte do planejamento central.

Algumas conclusões me parecem indiscutíveis. Iniciou-se em Cuba um clima de debate e franqueza sem precedentes. Não se abre um setor de empresas privadas, mas se introduz um certo nível de mercado. E embora se busque atrair investimentos estrangeiros, se anunciam rigorosos e duros controles (o que não é a melhor maneira de atraí-los). Supõe-se caber a esse momento do trabalhador autônomo, gerado por demissões em massa, o mecanismo para aumentar a produção reduzindo custos.

Claramente este é o resultado de um compromisso entre duas alas do partido e do governo: a ortodoxa tradicional, que pretendia manter-se nesse sistema com mais de 50 anos, mas que, frente à realidade, aceita dar alguns passos em direção à competitividade e à eficiência na busca por uma saída para a crise; e a ala reformadora e modernizante. Muitos dizem que desta maneira, a velha guarda (que em oito a dez anos terá desaparecido), busca mudar o menos possível para que seu mundo perdure enquanto eles viverem.

Acredito que este é um processo irreversível. A maioria dos cubanos viu o que se passou com a queda do comunismo soviético e a chegada dos Ieltsins. Sabem que depois do comunismo viria a seguir um capitalismo ultra selvagem, com um elemento adicional tipicamente cubano: os cerca de dois milhões de cubanos na Flórida, todos ferozmente competitivos, em sua maioria republicanos de direita, com capital e um grande sentimento de revanche que alimentam desde sua saída da ilha. Um exemplo: em Miami há 12 estúdios de arquitetura com o mapa de Havana dividido em 12 seções, que já têm a lista de repartição da cidade preparada para uma grande operação imobiliária que a transformaria em uma cópia de Miami. Para realizá-la, contam com dinheiro e know-how.

Em troca, os cubanos de Cuba, que não contam nem com o capital nem com a experiência de uma sociedade capitalista, temem que os cubanos de Miami voltem, recuperem suas casas e seus bens (desalojando a muitos que não saberão para onde ir) e se apoderem da economia insular em nome da democracia, da modernidade e do famoso livre mercado.

Terão de esquecer os livros por 25 centavos e o cinema de dez centavos, assim como o ballet, os museus, todas as manifestações artísticas e desportivas, a assistência médica, a educação, todas atividades praticamente gratuitas. Os cubanos ganham atualmente quase 40 dólares mensais. Quando passarem a pagar pelos preços reais dessas coisas, os aposentados morrerão de fome. E, em pouco tempo, os cubanos passariam de pobres a miseráveis.

Entretanto, Raúl tem razão. Em 1932, sem automóveis e com carros de boi como meio de transporte e quatro milhões de habitantes, Cuba produzia oito milhões de toneladas de açúcar. Hoje, com 12 milhões de habitantes e infraestruturas modernas, só chegam a um milhão e meio. Antes da revolução, havia seis milhões de pessoas e 12 milhões de vacas. Hoje é o contrário. Oitenta por cento do material de construção é importado, assim como 32% dos alimentos. Simplesmente não há dinheiro para continuar com a quimera da revolução.

Ninguém pode prever o que vai acontecer. Com sorte, alguns setores socialistas permanecerão e os sofrimentos serão menores. Mas o novo socialismo significará que a imensa maioria das pessoas terá de aceitar ser realmente pobre, e isto, com as imagens que chegam do sonho americano a apenas 90 milhas de distância, não será possível.

A ironia é que tudo isso acontece justamente quando o mito do sonho americano está em declínio, lento, porém irreversível, em razão dos golpes da realidade econômica dos Estados Unidos. Seria interessante voltar a analisarmos a situação em 2016, na fase de conclusão do Plano Quinquenal, e ver onde estaremos…

* Artigo publicado originalmente no site OtherNews. Roberto Savio é editor do OtherNews, fundador e presidente emérito da agência de notícias IPS (Inter Press Service).

Brasil e Guiana juntos na defesa da selva amazônica

Atendendo à solicitação da Força de Defesa da Guiana, o governo brasileiro está desenvolvendo um projeto inédito de apoio e treinamento ao Exército guianense em operação na selva amazônica. Essa é mais uma das ações de cooperação bilateral entre Brasil e Guiana, que recebe esta semana a IV Cúpula de Chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A missão teve início em março de 2010 e, com a orientação de instrutores brasileiros, cerca de 400 cadetes, sargentos e oficiais de Guiana estão sendo treinados para sobreviver na floresta e defender a fronteira. Além de passarem por um estágio de vida na selva, os militares recebem aulas de português e, alguns deles, são encaminhados para um treinamento mais específico no Brasil.

O curso ministrado pelos brasileiros tem quatro meses de duração. Em sua primeira fase, os militares passam três semanas na selva e recebem instrução para sobreviver naquele local. Em seguida, passam cinco dias isolados na floresta, em um exercício de sobrevivência. Após aprovados, passam a receber um treinamento mais técnico para preparação ao combate e patrulhamento contra o narcotráfico e crime organizado na região.

O Brasil tem investido na ampliação do relacionamento com a Guiana, país que faz fronteira com estados do Norte. Além do apoio à Força de Defesa, o governo brasileiro tem trabalhado para intensificar o comércio entre os dois países, facilitando a entrada de produtos guianenses, e investindo em projetos de infraestrutura, como a construção da ponte sobre o rio Itacutú, que liga os dois países, inaugurada pelo presidente Lula em setembro de 2009, e a pavimentação de 450 quilômetros de uma rodovia que ligaria Boa Vista (RR) a Georgetown.

Um dos principais objetivos da Unasul é o fortalecimento da cooperação entre os países membros — Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela.

Veja vídeo feito pelo Exército Brasileiro:

“A missão consiste em prover para eles conhecimento e suporte técnico profissional para estruturar a escola de selva na Guiana, porque o Brasil hoje é o número um no mundo nesse tipo de treinamento”, explicou o capitão de infantaria do Exército, Luciano Casagrande, um dos instrutores brasileiros.

Fonte: Blog do Planalto